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Desafios para um Mundo dividido em duas Partes


O ambiente económico é complexo e vai continuar assim em 2013. Ainda que seja provável que em 2013 continue a crescer ao mesmo ritmo que 2012, (2,7% ), a economia global irá enfrentar dois grandes obstáculos.
O primeiro é a enorme dívida acumulada pelos países desenvolvidos e, acima de tudo, a forma como estão a tentar reduzi-la. Neste caso, a solução a ser aplicada agrava o prejuízo e aumenta o debate e prolongamento das políticas de austeridade.
O segundo obstáculo provém do aparecimento de um risco político multiforme: os conflitos políticos nos Estados Unidos que impedem a clarificação da sua estratégia fiscal, as evoluções políticas em alguns países europeus, especialmente em Itália, os progressos institucionais incompletos na União Europeia, o aumento do desemprego no Sul da Europa e os problemas com os diversos tipos de terrorismo em todo o mundo.
Não restam dúvidas de que apenas os países emergentes vão sair ilesos em 2013.
O mundo vai continuar dividido em dois: os países desenvolvidos em dificuldades, por um lado, e por outro lado, os países emergentes, dando-nos motivos para ter esperança.
Na generalidade, os países desenvolvidos estão enfraquecidos pela crise da Zona Euro (-0,5% em 2012), que trava uma luta entre os seus problemas de desalavancagem e a promoção do crescimento, enquanto enfrenta um forte aumento do desemprego.
Os Estados Unidos parecem estar numa posição um pouco mais favorável, embora o crescimento deva abrandar para 1,5% em 2013, em comparação com os 2,1% em 2012, enquanto que o surpreendente espetáculo das suas negociações sobre o “Precipício Fiscal” irá causar preocupações no resto do mundo.
O outro extremo, os países emergentes, têm uma margem de manobra monetária e fiscal confortável.
Será a única área de estabilidade económica do mundo, com uma estimativa de crescimento acima de 5%, superior a 2012 (4,8%).
No entanto, as economias emergentes estão a amadurecer.
Pretendem agora desenvolver as suas próprias indústrias, as suas próprias marcas e dispõem também mais de produtos de elevada qualidade.
E já não se abstém de, se necessário, proteger as suas empresas nacionais.
Para 2013, a questão que permanece é se essa fonte de crescimento nos países emergentes e os esforços das economias avançadas, especialmente na Europa, podem ou não criar oportunidades para as empresas e melhorar a baixa confiança dos agentes económicos, uma condição absoluta para qualquer retoma no crescimento.







Jean-Marc Pillu, CEO Coface
Tipo: Informação Categoria: Nacional Data: 11/06/2013 23:17:55
Fonte: Panorama 3, Publicações COFACE